theme
‘bip’
Oi querida, tenho algumas filosofias pra você.
Sinceramente hoje decidi fazer algo novo. Decidir sair pra andar de bicicleta, quem sabe dar uma volta na praia, ou mesmo pegar um ônibus e descer apenas no terminal pra saber quantas pessoas chegam até lá.
Estive pensando em quanto tempo nós desperdiçamos deitados na cama, pensando se devemos falar tudo o que pensamos do modo como pensamos, ou se isso iria interferir em um possível destino da nossa vida. São variáveis nossos pensamentos, é como se a vida mudasse constantemente e ao mesmo tempo não mudasse, sabe?!  Por alguns momentos eu só queria ser outro homem, sei lá… Um guitarrista talvez. Porque não? Eu estaria satisfeito sabendo alguns acordes, tocando em uma banda qualquer num bar da cidade e deixando sorrisos em pessoas que não sabem sequer meu nome.
Mas infelizmente eu sou aquele que vive de lembranças, vive do passado e dos problemas que me deixam inseguro. É como se tudo que eu fizesse estivesse ligado a algo que já foi feito, é como se cada passo estivesse sendo marcado por alguém ou por algo a mais em minha história, se é que tenho uma história. Pensei em ir num bar, sentar, pedir uma cerveja, quem sabe um uísque pra esquecer um pouco o passado, pra deixá-lo um pouco no seu devido lugar.
Fui a lugares que pensei que não conhecia, mas descobri que conhecia pelos seus relatos querida, lembro como hoje o modo como você me contava com detalhes impecáveis seus passeios e caminhadas. Era como se cada lugar que você fosse, fosse um lugar que ficasse marcado em tua memória como uma vida diferente que você já não vivesse mais ao sair daquele lugar. Era tudo muito viajado, muito… Você.
Ás vezes cheguei a pensar que você estava perdendo o seu senso, você falava coisas que envolviam a história, a filosofia… Até a matemática. Você fazia sua própria biografia, dia após dia, incluindo os detalhes que você mais queria dar ênfase, eu escutava com atenção, queria ouvir tua voz todos os segundos que eu pudesse passar ao teu lado. Seja na biblioteca, na sala, na fazenda… Tua voz me desnorteava, me deixava com sorrisos bobos na cara. Por vezes pensei em como seria minha vida se você sumisse do nada… Acho que eu me perderia por um tempo, e que talvez se você voltasse… Todo o meu amor por você voltasse junto.
A vida tem dessas surpresas, um dia você está bem, no outro aparece um velho amor do nada e acaba com você pouco a pouco, te deixando confuso sem saber se você revela tudo que há em você ou não. Na minha vez foi apenas uma surpresa desagradável, ou digamos agradável? Já não sei mais. Pra que viver se você já não está comigo? Não quero surpresas, não quero cheiro de flores, não quero mais guitarra, violão, teclado ou o que seja. Só peço uma volta. Me deixa desnorteado mais uma vez… Talvez isso me faça bem, talvez não. Só quero que saiba que essa doença veio acatar um pouco minha situação.
Estou andando muito cansado, venho perdendo peso já há uns dias atrás… Mas ainda não quero fazer os exames que me foram pedidos. Estou pensando em sair, caminhar um pouco pela praia. Acho que vai ser isso então. Boa noite querida.
‘bip’
Pra Te Lembrar, gravação 08 – Yalle Carvalho

‘bip’

Oi querida, tenho algumas filosofias pra você.

Sinceramente hoje decidi fazer algo novo. Decidir sair pra andar de bicicleta, quem sabe dar uma volta na praia, ou mesmo pegar um ônibus e descer apenas no terminal pra saber quantas pessoas chegam até lá.

Estive pensando em quanto tempo nós desperdiçamos deitados na cama, pensando se devemos falar tudo o que pensamos do modo como pensamos, ou se isso iria interferir em um possível destino da nossa vida. São variáveis nossos pensamentos, é como se a vida mudasse constantemente e ao mesmo tempo não mudasse, sabe?!  Por alguns momentos eu só queria ser outro homem, sei lá… Um guitarrista talvez. Porque não? Eu estaria satisfeito sabendo alguns acordes, tocando em uma banda qualquer num bar da cidade e deixando sorrisos em pessoas que não sabem sequer meu nome.

Mas infelizmente eu sou aquele que vive de lembranças, vive do passado e dos problemas que me deixam inseguro. É como se tudo que eu fizesse estivesse ligado a algo que já foi feito, é como se cada passo estivesse sendo marcado por alguém ou por algo a mais em minha história, se é que tenho uma história. Pensei em ir num bar, sentar, pedir uma cerveja, quem sabe um uísque pra esquecer um pouco o passado, pra deixá-lo um pouco no seu devido lugar.

Fui a lugares que pensei que não conhecia, mas descobri que conhecia pelos seus relatos querida, lembro como hoje o modo como você me contava com detalhes impecáveis seus passeios e caminhadas. Era como se cada lugar que você fosse, fosse um lugar que ficasse marcado em tua memória como uma vida diferente que você já não vivesse mais ao sair daquele lugar. Era tudo muito viajado, muito… Você.

Ás vezes cheguei a pensar que você estava perdendo o seu senso, você falava coisas que envolviam a história, a filosofia… Até a matemática. Você fazia sua própria biografia, dia após dia, incluindo os detalhes que você mais queria dar ênfase, eu escutava com atenção, queria ouvir tua voz todos os segundos que eu pudesse passar ao teu lado. Seja na biblioteca, na sala, na fazenda… Tua voz me desnorteava, me deixava com sorrisos bobos na cara. Por vezes pensei em como seria minha vida se você sumisse do nada… Acho que eu me perderia por um tempo, e que talvez se você voltasse… Todo o meu amor por você voltasse junto.

A vida tem dessas surpresas, um dia você está bem, no outro aparece um velho amor do nada e acaba com você pouco a pouco, te deixando confuso sem saber se você revela tudo que há em você ou não. Na minha vez foi apenas uma surpresa desagradável, ou digamos agradável? Já não sei mais. Pra que viver se você já não está comigo? Não quero surpresas, não quero cheiro de flores, não quero mais guitarra, violão, teclado ou o que seja. Só peço uma volta. Me deixa desnorteado mais uma vez… Talvez isso me faça bem, talvez não. Só quero que saiba que essa doença veio acatar um pouco minha situação.

Estou andando muito cansado, venho perdendo peso já há uns dias atrás… Mas ainda não quero fazer os exames que me foram pedidos. Estou pensando em sair, caminhar um pouco pela praia. Acho que vai ser isso então. Boa noite querida.

‘bip’

Pra Te Lembrar, gravação 08 – Yalle Carvalho

'bip'
Oi querida. Estou meio triste.
Lembra quando Eu te disse que estava me cansando muito rápido? Tossindo muito? Pois é. Acabei por procurar um médico em meio ao meu desespero. Ele me disse que podia ser uma pneumonia, que podia ser isso ou aquilo, mas eu não acreditei que fosse algo fácil de sarar só pelo tom em que ele falava. Um tom meio triste sabe? De quando você vai perder alguém… Pois é. Ele passou alguns exames e hoje passei a tarde fazendo.
Sabe querida, estou com medo de levar os resultados dos exames ao médico, na verdade eu nem quero saber realmente o que tenho entende?! Prefiro que fique assim, na escuridão. Hoje depois dos exames fui à livraria, senti, pedi um café e um amor, o garçom riu e disse que ali não tinha amores a venda e eu me encontrei frustrado por ver que tinha realmente pedido aquilo. Foi então que lembrei o episódio em que estávamos na nossa cafeteria, era um dia de domingo, chovia lá fora e você dizia que estava fazendo frio mesmo estando dentro da cafeteria que no dia estava fechado para os clientes. Você reclamava, reclamava, até que te dei meu casaco e fui andando para cozinha da cafeteria.  Você ficou lá, sentada em uma das mesas, fingindo estar braba comigo. Não liguei muito e continuei indo á cozinha.  Quando cheguei na cozinha comecei a escutar ruídos, parecia uma música ao fundo, ela foi aumentando, aumentando… Até que eu discerni que era a música “Quase sem querer” . Você cantava junto com Renato todas as partes da música e eu fiquei parado ouvindo. Até que você cantou gritando “Me disseram que você estava chorando e foi então que eu percebi como lhe quero tanto…” e eu ri, envergonhado. Fiz dois cafés, o meu expresso e o seu cappuccino com leite extra de sempre, peguei um cupcake e coloquei uma vela pequena daquelas de aniversário nele. Ao fazer tudo isso, peguei os cafés e o cupcake já com a vela acesa e andei até você, cheguei até teu ouvido vendo tua cara de assustada e disse - Um café e um amor saindo quentinhos. Você riu e disse - Parabéns para nós. Eu sorri, aquele era nosso primeiro ano de casados, e até agora nada tinha mexido com nosso amor. Sempre um amor doce, sem muitas brigas, com muitos sorrisos e poucas lágrimas. Já estava tão perdido em minhas memórias até que o garçom chamou-me e eu voltei a mim mesmo. 
Pedi desculpas ao garçom e disse que queria apenas o café expresso. Peguei um livro e comecei a lê-lo. Ele falava de um menino que havia se perdido de seu pai, e que agora se encontrava na casa de um estranho, estava sendo bem cuidado, mas sentia falta de casa. Estava aprendendo a tocar violão e estava lendo tudo que via pela frente… com o tempo o menino foi ficando mais feliz até que recebeu uma ligação dizendo que seu pai havia morrido de câncer, não o pai de criação de qual ele havia se perdido e sim do estranho que havia se tornado seu pai… O garoto chorava e eu chorava junto com ele, então parei de ler o livro. 
Deixei o livro encima da mesa, bebi meu café, já um pouco frio e fui embora com a imagem do menino que havia perdido seu pai que tanto lhe ensinara para uma doença besta. Lembrei-me de meu pai, todo risonho em sua cadeira de balanço, sempre contando suas histórias de pescador. Você quando ia comigo visita-lo ria muito, acreditava nas histórias que ele contava como se fosse algo sagrado, e eu admirava esse teu jeito boba de ser. Ah minha criança, minha menina boba, que falta que me fazes. Não sabes o tamanho do buraco que minha solidão tem causado, ela me deixa algumas noites sem dormir, as vezes tenho algumas dores, outras tenho flashbacks em preto e branco de nossos primeiros momentos na faculdade. Ah querida, volta. 
Acho que agora vou descansar, meu dia foi triste como os outros, mas já te falei o que cabia a mim a falar, te peço que se encontre comigo, naquele lugar de sempre, o lugar que era nosso, só nosso. O campo de flores que tanto gostavas, onde nós corríamos de mãos dadas como aqueles casais perfeitos. Mas quem disse que não somos? É querida, me encontra lá, estarei a tua espera, sempre estou.
Boa Noite meu amor.
'bip'
Pra Te Lembrar, gravação 07 - Yalle Carvalho

'bip'

Oi querida. Estou meio triste.

Lembra quando Eu te disse que estava me cansando muito rápido? Tossindo muito? Pois é. Acabei por procurar um médico em meio ao meu desespero. Ele me disse que podia ser uma pneumonia, que podia ser isso ou aquilo, mas eu não acreditei que fosse algo fácil de sarar só pelo tom em que ele falava. Um tom meio triste sabe? De quando você vai perder alguém… Pois é. Ele passou alguns exames e hoje passei a tarde fazendo.

Sabe querida, estou com medo de levar os resultados dos exames ao médico, na verdade eu nem quero saber realmente o que tenho entende?! Prefiro que fique assim, na escuridão. Hoje depois dos exames fui à livraria, senti, pedi um café e um amor, o garçom riu e disse que ali não tinha amores a venda e eu me encontrei frustrado por ver que tinha realmente pedido aquilo. Foi então que lembrei o episódio em que estávamos na nossa cafeteria, era um dia de domingo, chovia lá fora e você dizia que estava fazendo frio mesmo estando dentro da cafeteria que no dia estava fechado para os clientes. Você reclamava, reclamava, até que te dei meu casaco e fui andando para cozinha da cafeteria.  Você ficou lá, sentada em uma das mesas, fingindo estar braba comigo. Não liguei muito e continuei indo á cozinha.  Quando cheguei na cozinha comecei a escutar ruídos, parecia uma música ao fundo, ela foi aumentando, aumentando… Até que eu discerni que era a música “Quase sem querer” . Você cantava junto com Renato todas as partes da música e eu fiquei parado ouvindo. Até que você cantou gritando Me disseram que você estava chorando e foi então que eu percebi como lhe quero tanto…” e eu ri, envergonhado. Fiz dois cafés, o meu expresso e o seu cappuccino com leite extra de sempre, peguei um cupcake e coloquei uma vela pequena daquelas de aniversário nele. Ao fazer tudo isso, peguei os cafés e o cupcake já com a vela acesa e andei até você, cheguei até teu ouvido vendo tua cara de assustada e disse - Um café e um amor saindo quentinhos. Você riu e disse - Parabéns para nós. Eu sorri, aquele era nosso primeiro ano de casados, e até agora nada tinha mexido com nosso amor. Sempre um amor doce, sem muitas brigas, com muitos sorrisos e poucas lágrimas. Já estava tão perdido em minhas memórias até que o garçom chamou-me e eu voltei a mim mesmo.

Pedi desculpas ao garçom e disse que queria apenas o café expresso. Peguei um livro e comecei a lê-lo. Ele falava de um menino que havia se perdido de seu pai, e que agora se encontrava na casa de um estranho, estava sendo bem cuidado, mas sentia falta de casa. Estava aprendendo a tocar violão e estava lendo tudo que via pela frente… com o tempo o menino foi ficando mais feliz até que recebeu uma ligação dizendo que seu pai havia morrido de câncer, não o pai de criação de qual ele havia se perdido e sim do estranho que havia se tornado seu pai… O garoto chorava e eu chorava junto com ele, então parei de ler o livro.

Deixei o livro encima da mesa, bebi meu café, já um pouco frio e fui embora com a imagem do menino que havia perdido seu pai que tanto lhe ensinara para uma doença besta. Lembrei-me de meu pai, todo risonho em sua cadeira de balanço, sempre contando suas histórias de pescador. Você quando ia comigo visita-lo ria muito, acreditava nas histórias que ele contava como se fosse algo sagrado, e eu admirava esse teu jeito boba de ser. Ah minha criança, minha menina boba, que falta que me fazes. Não sabes o tamanho do buraco que minha solidão tem causado, ela me deixa algumas noites sem dormir, as vezes tenho algumas dores, outras tenho flashbacks em preto e branco de nossos primeiros momentos na faculdade. Ah querida, volta.

Acho que agora vou descansar, meu dia foi triste como os outros, mas já te falei o que cabia a mim a falar, te peço que se encontre comigo, naquele lugar de sempre, o lugar que era nosso, só nosso. O campo de flores que tanto gostavas, onde nós corríamos de mãos dadas como aqueles casais perfeitos. Mas quem disse que não somos? É querida, me encontra lá, estarei a tua espera, sempre estou.

Boa Noite meu amor.

'bip'

Pra Te Lembrar, gravação 07 - Yalle Carvalho

'bip'
Olá querida, hoje dei uma de músico.
 Pela manhã fui as aulas de teclado, aprendi algumas coisas a mais e lá o professor disse que estou indo bem. Pretendo passar do teclado pro piano, afinal o piano é mais encantador em alguns aspectos, mas também é mais difícil. Tocando me senti um pouco mais perto de você - sentimento costumeiro - , e a falta do nosso Arthur doeu mais forte.
 Lembro de você numa tarde calma de domingo tocando para ele e ao mesmo tempo ensinando-o a tocar. Aquilo era tão mágico, tão encantador…. que até hoje me pergunto se foi real. 
 Voltei para casa meio sentindo uma solidão se apoderar de mim, e fiquei me perguntando pra onde vão as coisas depois de um tempo.. pra onde vão as pessoas, os sentimentos… Me diz meu amor, pra onde vão? Pra onde você foi? Sinto uma falta tamanha do que eramos. Pensei em ir naquela ponte que você tanto gostava. Então decidi que iria, queria ver o horizonte, queria pensar, queria lembrar… e foi isso que aconteceu.
 Lembra quando começamos a sair? um dos nossos encontros foi no parque depois da ponte. Você estava linda, um vestido florido onde o vento batia suavemente, um sapatinho simples e seus olhos verdes tinham um contorno preto que os deixavam mais verdes ainda. Eu fiquei encantado com tamanha beleza, e fiquei me perguntando se aquilo estava realmente acontecendo, se eu tinha mesmo te conhecido, te encontrado ali… num piquenique de faculdade. Você sempre tão simples, tão singela… um sorriso brincalhão e grande que me encantava.
 Já que Eu morava de um lado da cidade e você do outro, acabamos por nós encontramos no meio da ponte. Paramos um pouco por ali, ficamos observando o horizonte, você ria, eu sorria. Você disse que ali era um dos seus lugares preferidos pra pensar, e hoje eu sei o que você queria dizer com isso. 
 Hoje a ponte está de outra cor, mas, acho que você gostaria dela do mesmo jeito. Mesmo você sendo crítica pra essas coisas, não desprezarias um lugar desse. Fui andando pela ponte e em ponto específico havia um homem tocando uma música que era assim: “Quando começar o frio, dentro de nós, tudo em volta parece tão quieto, tudo em volta não parece perto. Toda volta parece o mais certo, certo é estar perto sem estar. Perto de você, perto de você. - Quando o tempo não passar, dentro de nós. Cada hora é como uma semana, cada novo alô é mais bacana. Cada carta que eu nunca recebo é sempre um motivo pra lembrar…sou tão perto de você”  Perguntei a ele o nome e ele me disse que era “Perto de você”, eu senti naquela música algo mais forte do que já vem me invadindo a uns dias. Senti uma saudade mais forte, senti uma necessidade de você maior.. senti você, ali, comigo. 
 Estou cansado de tua ausência minha querida, te peço que voltes. Que cuides de mim enquanto não esqueço de você. E só.
'bip'
Pra te Lembrar, gravação 06 - Yalle Carvalho

'bip'

Olá querida, hoje dei uma de músico.

Pela manhã fui as aulas de teclado, aprendi algumas coisas a mais e lá o professor disse que estou indo bem. Pretendo passar do teclado pro piano, afinal o piano é mais encantador em alguns aspectos, mas também é mais difícil. Tocando me senti um pouco mais perto de você - sentimento costumeiro - , e a falta do nosso Arthur doeu mais forte.

Lembro de você numa tarde calma de domingo tocando para ele e ao mesmo tempo ensinando-o a tocar. Aquilo era tão mágico, tão encantador…. que até hoje me pergunto se foi real. 

Voltei para casa meio sentindo uma solidão se apoderar de mim, e fiquei me perguntando pra onde vão as coisas depois de um tempo.. pra onde vão as pessoas, os sentimentos… Me diz meu amor, pra onde vão? Pra onde você foi? Sinto uma falta tamanha do que eramos. Pensei em ir naquela ponte que você tanto gostava. Então decidi que iria, queria ver o horizonte, queria pensar, queria lembrar… e foi isso que aconteceu.

Lembra quando começamos a sair? um dos nossos encontros foi no parque depois da ponte. Você estava linda, um vestido florido onde o vento batia suavemente, um sapatinho simples e seus olhos verdes tinham um contorno preto que os deixavam mais verdes ainda. Eu fiquei encantado com tamanha beleza, e fiquei me perguntando se aquilo estava realmente acontecendo, se eu tinha mesmo te conhecido, te encontrado ali… num piquenique de faculdade. Você sempre tão simples, tão singela… um sorriso brincalhão e grande que me encantava.

Já que Eu morava de um lado da cidade e você do outro, acabamos por nós encontramos no meio da ponte. Paramos um pouco por ali, ficamos observando o horizonte, você ria, eu sorria. Você disse que ali era um dos seus lugares preferidos pra pensar, e hoje eu sei o que você queria dizer com isso. 

Hoje a ponte está de outra cor, mas, acho que você gostaria dela do mesmo jeito. Mesmo você sendo crítica pra essas coisas, não desprezarias um lugar desse. Fui andando pela ponte e em ponto específico havia um homem tocando uma música que era assim: Quando começar o frio, dentro de nós, tudo em volta parece tão quieto, tudo em volta não parece perto. Toda volta parece o mais certo, certo é estar perto sem estar. Perto de você, perto de você. - Quando o tempo não passar, dentro de nós. Cada hora é como uma semana, cada novo alô é mais bacana. Cada carta que eu nunca recebo é sempre um motivo pra lembrar…sou tão perto de você”  Perguntei a ele o nome e ele me disse que era “Perto de você”, eu senti naquela música algo mais forte do que já vem me invadindo a uns dias. Senti uma saudade mais forte, senti uma necessidade de você maior.. senti você, ali, comigo. 

Estou cansado de tua ausência minha querida, te peço que voltes. Que cuides de mim enquanto não esqueço de você. E só.

'bip'

Pra te Lembrar, gravação 06 - Yalle Carvalho

‘bip’
Oi querida, hoje voltei a ser criança.
Seria um domingo comum se eu não tivesse colocado na minha cabeça a ideia de pescar.  Sinceramente acho que estou meio velho para isso, mas mesmo assim fui. Era e sempre será algo que eu gosto de fazer.
                Cheguei ao porto mais ou menos ás 8h da manhã, o mar estava calmo e o sol não estava tão quente. Claro que se o sol estivesse quente eu pensaria dez vezes antes de sair, ou então sairia e esqueceria de passar protetor solar, afinal sempre foi você quem me lembrava de pegar o protetor e passar no corpo.
                Lembro que todas as vezes que saiamos você gritava de dentro de casa: - Amor, o protetor!  Eu ria e descia do carro pra buscar, mas nunca entendi porque você não simplesmente trazia, mesmo assim não me incomodava em ir pegar. Até porque se assim não o fosse eu não lembraria das tuas risadas quando olhava pro meu rosto dizendo que eu ficava com o rosto todo branco de protetor porque não sabia espalhar, eu discutia, dizia que era apenas meu modo de passar, mas você vinha e ajeitava.
                Acordei um pouco das lembranças, coloquei a isca no anzol e me sentei calmamente no chão de madeira a beira-mar. Lembrei de nosso filho Arthur que sempre vinha pescar comigo, sempre fazia as mesmas perguntas, se colocava a isca desse jeito ou de outro, se podia pescar qualquer peixe, se podia levar o peixe pra casa ou se tinha que devolver ao mar… Tantas coisas, e lembrei principalmente do dia que viemos os três. Dessa vez você também pescou, de primeira pegaste um peixe, mas o mesmo te puxou mais forte do que você podia aguentar e você desabou na água. O Arthur riu, eu ri, e você dentro da água deu mais risadas que a gente, afinal a mais humorada da família sempre foi você.
                Depois de um tempo eu peguei um ou dois peixes, coloquei-os de volta e decidi voltar pra casa. A lembrança de vocês e de tê-los longe de mim doeu forte no meu peito e a única coisa que eu queria naquela hora era uma cama e um comprimido pra anestesiar a dor.  Sem mais delongas vou me despedindo, afinal as lembranças continuam a me atormentar.
                Tenha uma boa noite querida, e que você encontre peixes e caia no mar por ai.
‘bip’
Pra Te Lembrar, Gravação 05 – Yalle Carvalho

‘bip’

Oi querida, hoje voltei a ser criança.

Seria um domingo comum se eu não tivesse colocado na minha cabeça a ideia de pescar.  Sinceramente acho que estou meio velho para isso, mas mesmo assim fui. Era e sempre será algo que eu gosto de fazer.

                Cheguei ao porto mais ou menos ás 8h da manhã, o mar estava calmo e o sol não estava tão quente. Claro que se o sol estivesse quente eu pensaria dez vezes antes de sair, ou então sairia e esqueceria de passar protetor solar, afinal sempre foi você quem me lembrava de pegar o protetor e passar no corpo.

                Lembro que todas as vezes que saiamos você gritava de dentro de casa: - Amor, o protetor!  Eu ria e descia do carro pra buscar, mas nunca entendi porque você não simplesmente trazia, mesmo assim não me incomodava em ir pegar. Até porque se assim não o fosse eu não lembraria das tuas risadas quando olhava pro meu rosto dizendo que eu ficava com o rosto todo branco de protetor porque não sabia espalhar, eu discutia, dizia que era apenas meu modo de passar, mas você vinha e ajeitava.

                Acordei um pouco das lembranças, coloquei a isca no anzol e me sentei calmamente no chão de madeira a beira-mar. Lembrei de nosso filho Arthur que sempre vinha pescar comigo, sempre fazia as mesmas perguntas, se colocava a isca desse jeito ou de outro, se podia pescar qualquer peixe, se podia levar o peixe pra casa ou se tinha que devolver ao mar… Tantas coisas, e lembrei principalmente do dia que viemos os três. Dessa vez você também pescou, de primeira pegaste um peixe, mas o mesmo te puxou mais forte do que você podia aguentar e você desabou na água. O Arthur riu, eu ri, e você dentro da água deu mais risadas que a gente, afinal a mais humorada da família sempre foi você.

                Depois de um tempo eu peguei um ou dois peixes, coloquei-os de volta e decidi voltar pra casa. A lembrança de vocês e de tê-los longe de mim doeu forte no meu peito e a única coisa que eu queria naquela hora era uma cama e um comprimido pra anestesiar a dor.  Sem mais delongas vou me despedindo, afinal as lembranças continuam a me atormentar.

                Tenha uma boa noite querida, e que você encontre peixes e caia no mar por ai.

‘bip’

Pra Te Lembrar, Gravação 05 – Yalle Carvalho

‘bip’

Oi querida, hoje foi um dia e tanto.

                Sabe aqueles dias memoráveis? Acho que além de todos que passei contigo esse também é um dos. Como você sabe, ainda trabalho como designer na mesma empresa. Meu chefe ainda aquele velho ranzinza que você fazia piadas sobre a careca pra que eu me distraísse quando ele me fazia raiva… Meus colegas ainda os mesmos, apenas minhas criações mudaram. Antes meus anúncios tinham cores vivas e mulheres de cabelos esvoaçados, não exatamente desse jeito, mas meio que com esse padrão. Hoje as cores que uso são mais as frias, uso mais a natureza como inspiração, tanto a natureza morta como a viva. Mudando e ao mesmo tempo continuando no mesmo assunto, querida, os morangos me lembram você.
Lembrei quando vimos o filme ‘Across the Universe’, você já havia visto com suas amigas da faculdade e até mesmo antes quando fazia colegial. Você cantava todas as músicas do filme… Impressionante como você sabia todas aquelas letras das músicas dos Beatles. Segundo você, suas preferidas do filme eram ‘While my guitar gently weeps’ e ‘Hey Jude’. Você sempre teve o jeito melancólico de ser e entendi porque gostava das músicas tristes. Mesmo sendo essas duas músicas suas preferidas, sua cena preferia era onde Jude pregava os morangos no quadro da parede, e que se me cabe comentar querida, essa também uma das mais fascinantes cenas que já vi. Você dizia que a cor vermelha dos morangos te fascinava, e que aquela cena era algo memorável pra ti. Hoje toda vez que vejo campos de morango, me vejo cantando na cabeça “Strawberry fields forever…” e lembrando de você e sua cara de boba vendo o filme e cantando.
Fiz alguns desenhos de morangos meios desajeitados e colei na parede do nosso quarto para lembrar de ti, mais ainda do que já me lembro. Enfim, estava te falando sobre meu dia memorável e as lembranças me confundiram um pouco.
Sai hoje para tomar um café e lá na cafeteria da biblioteca encontrei um velho amigo nosso. Amigo da faculdade. Não sei se lembras dele, costumávamos chama-lo de tortuguita ou tartaruga, afinal ele era bem lento quando ia fazer as coisas, mas sua inteligência era algo excepcional. Fomos andando até nossa antiga faculdade que fica apenas a três quadras da biblioteca. Lá andamos pelos jardins, pelas construções, fizemos vários passeios, falamos com antigos professores e no fim da tarde acabamos por encontrar alguns velhos amigos. Nós nos juntamos no jardim da faculdade e fizemos um pequeno piquenique, daqueles que costumávamos fazer uma ou duas vezes por semana na faculdade, e foi num desses que teu olhar se cruzou com o meu.
Fiquei ali sentado na grama por um bom tempo, olhando o pôr-do-sol que acontecia no horizonte. Lembrei-me do dia em que nós nos conhecemos aqui nessa mesma faculdade. Você fazia arquitetura e eu designer. Éramos de mundos diferentes, mas acabamos nos encontrando por obra do acaso ou diria destino? Não sei. Naquele dia eu estava distraído com as aulas que estava tendo mas acabei parando para lanchar no piquenique da turma. Você uma garota de cabelo de cor meio indeciso, olhos verdes e um jeito meio solta e também meio delicada de ser havia ficado amiga de alguma menina da minha turma e estava lá por algum motivo. Hoje sei que o motivo era Eu. Éramos nós afinal.
Você era tímida, não falava muito, mas dava muitas risadas. Risadas bobas. Seu sorriso era lindo, é lindo… Era. Eu meio corajoso cheguei perto e comecei a conversar com a desconhecida naquele momento que veio a se tornar você, a mulher da minha vida. Nunca imaginei que aquela conversa fosse ser algo tão definitivo na minha vida. Lembro que falei muitas besteiras, contei piadas, e você ria muito. Marcamos para sair pra tomar um café, conversamos, nos conhecemos e depois de algumas semanas juntos, começamos a namorar.
Hoje vejo que aquele encorajamento valeu a pena. Você foi, é e sempre vai ser minha menina de olhos verdes e sorriso bobo. Mas agora querida, estou cansado e decidi te deixar um pouco mais cedo. Dormirei perto de teus morangos, de teus gostos e lembranças.
Boa noite querida e até outro dia.

‘bip’

Pra Te Lembrar, gravação 04 – Yalle Carvalho

‘bip’

Oi querida, hoje foi um dia e tanto.

                Sabe aqueles dias memoráveis? Acho que além de todos que passei contigo esse também é um dos. Como você sabe, ainda trabalho como designer na mesma empresa. Meu chefe ainda aquele velho ranzinza que você fazia piadas sobre a careca pra que eu me distraísse quando ele me fazia raiva… Meus colegas ainda os mesmos, apenas minhas criações mudaram. Antes meus anúncios tinham cores vivas e mulheres de cabelos esvoaçados, não exatamente desse jeito, mas meio que com esse padrão. Hoje as cores que uso são mais as frias, uso mais a natureza como inspiração, tanto a natureza morta como a viva. Mudando e ao mesmo tempo continuando no mesmo assunto, querida, os morangos me lembram você.

Lembrei quando vimos o filme ‘Across the Universe’, você já havia visto com suas amigas da faculdade e até mesmo antes quando fazia colegial. Você cantava todas as músicas do filme… Impressionante como você sabia todas aquelas letras das músicas dos Beatles. Segundo você, suas preferidas do filme eram ‘While my guitar gently weeps’ e ‘Hey Jude’. Você sempre teve o jeito melancólico de ser e entendi porque gostava das músicas tristes. Mesmo sendo essas duas músicas suas preferidas, sua cena preferia era onde Jude pregava os morangos no quadro da parede, e que se me cabe comentar querida, essa também uma das mais fascinantes cenas que já vi. Você dizia que a cor vermelha dos morangos te fascinava, e que aquela cena era algo memorável pra ti. Hoje toda vez que vejo campos de morango, me vejo cantando na cabeça “Strawberry fields forever…” e lembrando de você e sua cara de boba vendo o filme e cantando.

Fiz alguns desenhos de morangos meios desajeitados e colei na parede do nosso quarto para lembrar de ti, mais ainda do que já me lembro. Enfim, estava te falando sobre meu dia memorável e as lembranças me confundiram um pouco.

Sai hoje para tomar um café e lá na cafeteria da biblioteca encontrei um velho amigo nosso. Amigo da faculdade. Não sei se lembras dele, costumávamos chama-lo de tortuguita ou tartaruga, afinal ele era bem lento quando ia fazer as coisas, mas sua inteligência era algo excepcional. Fomos andando até nossa antiga faculdade que fica apenas a três quadras da biblioteca. Lá andamos pelos jardins, pelas construções, fizemos vários passeios, falamos com antigos professores e no fim da tarde acabamos por encontrar alguns velhos amigos. Nós nos juntamos no jardim da faculdade e fizemos um pequeno piquenique, daqueles que costumávamos fazer uma ou duas vezes por semana na faculdade, e foi num desses que teu olhar se cruzou com o meu.

Fiquei ali sentado na grama por um bom tempo, olhando o pôr-do-sol que acontecia no horizonte. Lembrei-me do dia em que nós nos conhecemos aqui nessa mesma faculdade. Você fazia arquitetura e eu designer. Éramos de mundos diferentes, mas acabamos nos encontrando por obra do acaso ou diria destino? Não sei. Naquele dia eu estava distraído com as aulas que estava tendo mas acabei parando para lanchar no piquenique da turma. Você uma garota de cabelo de cor meio indeciso, olhos verdes e um jeito meio solta e também meio delicada de ser havia ficado amiga de alguma menina da minha turma e estava lá por algum motivo. Hoje sei que o motivo era Eu. Éramos nós afinal.

Você era tímida, não falava muito, mas dava muitas risadas. Risadas bobas. Seu sorriso era lindo, é lindo… Era. Eu meio corajoso cheguei perto e comecei a conversar com a desconhecida naquele momento que veio a se tornar você, a mulher da minha vida. Nunca imaginei que aquela conversa fosse ser algo tão definitivo na minha vida. Lembro que falei muitas besteiras, contei piadas, e você ria muito. Marcamos para sair pra tomar um café, conversamos, nos conhecemos e depois de algumas semanas juntos, começamos a namorar.

Hoje vejo que aquele encorajamento valeu a pena. Você foi, é e sempre vai ser minha menina de olhos verdes e sorriso bobo. Mas agora querida, estou cansado e decidi te deixar um pouco mais cedo. Dormirei perto de teus morangos, de teus gostos e lembranças.

Boa noite querida e até outro dia.

‘bip’

Pra Te Lembrar, gravação 04 – Yalle Carvalho

‘bip’
Oi querida, hoje acordei meio cansado.
Sabe aqueles dias em que você acorda mais cansado do que foi dormir? Pois é querida, acordei assim. Estou me sentindo um velho sabia? Apenas 37 anos na cara e estou assim, envelhecendo rapidamente. 
                Hoje meu dia foi normal. Aulas de teclado pela manhã. Depois no ateliê tentei desenhar algo para a empresa, mas não tive muito sucesso, afinal minha inspiração não está mais comigo. Ela anda fugida desde que você não está aqui querida, isso é ruim, mas eu ainda procuro-a em todos os lugares. Acho que se um dia a encontrar como ela costumava ser, encontrarei mais um pouco de você em mim. Não que você já não domine a maior parte da pessoa que sou, afinal Eu sou nós, você é nós… E nós somos apenas Você e Eu em uma só pessoa, em um só ser. Em um só, grande e indefinido amor. 
                Lembras que anteriormente te disse que sonhei contigo? Foi meu amor. Te contarei então meus devaneios de amor, meus sonhos com e ao mesmo tempo sem sentido na cidade da Luz, em Paris. Havíamos viajado para Paris para passar um mês de férias, aparentávamos ter uns 25 anos na cara e estávamos mais felizes que nunca (não que nosso casamento não tenha sido feliz, porque foi. Antes de começar até… O fim).  Alugamos um pequeno apartamento a fim de que não tivéssemos despesa com hotel, e essas coisas desnecessárias, até porque seria consideravelmente um bom tempo que passaríamos por lá.
                Tínhamos em mãos um roteiro para passeio em Paris, e decidimos que só íamos segui-lo pelos primeiros dias. Foi assim, fomos a lugares que você faria questão de não perder um detalhe sequer, fomos à torre Eiffel que você tanto admirava a arquitetura. Você me contou várias coisas que já tinha lido sobre os lugares de Paris e sobre a arquitetura deles também. Não entendi bem porque falavas de arquitetura, afinal você e eu em vida real não conversávamos muito sobre esse assunto, você dizia que gostava deste prédio ou daquele, mas nunca havia dito que era por causa da arquitetura. 
                Depois de uma semana em Paris decidimos fazer mochileiro, você dizia que seria uma viajem e tanto, e eu também estava animado, pois afinal sempre foi um sonho nosso fazer um mochileiro pelos países na Europa. Fomos a vários cantos, pegamos trens, tomamos vários cafés e entre eles conversas iam e vinham. Entre os assuntos um dos que você mais falava era seu desejo de ter uma filha, disse que seu nome seria Alice, pois a história de “Alice no país das maravilhas”  havia sido uma das melhores da sua infância. Concordei, mesmo sabendo que nós no fundo desejávamos gêmeos e se eles não viessem que viesse Alice. Pequeninos assim são bem-vindos e seriam amados de uma forma grande e bonita por nós.
                Com uma semana e meia de mochileiro voltamos a Paris e ficamos aproveitando nossa vida de casal normal. Conhecemos várias pessoas, fomos a vários bares, tomamos cervejas de gostos variados. Você ria dizendo que a cerveja que tomavamos em casa era melhor, mas no fundo eu sabia que você estava gostando de experimentar coisas novas.
                Então depois de um tempo começamos a ficar mais em casa, ficavámos o dia todo deitados assistindo a filmes, as vezes noticiários. Outras vezes só viamos nossos próprios lábios que se encontravam a cada minuto que se passava.
                Nossa viagem estava sendo tão boa até que eu acordei querida. Ah querida, que saudade de seus lábios que há muito tempo não vejo, que há muito tempo…
Boa noite, e, por favor, volta.
'bip'
Pra Te Lembrar, gravação 03 - Yalle Carvalho.

‘bip’

Oi querida, hoje acordei meio cansado.

Sabe aqueles dias em que você acorda mais cansado do que foi dormir? Pois é querida, acordei assim. Estou me sentindo um velho sabia? Apenas 37 anos na cara e estou assim, envelhecendo rapidamente.

                Hoje meu dia foi normal. Aulas de teclado pela manhã. Depois no ateliê tentei desenhar algo para a empresa, mas não tive muito sucesso, afinal minha inspiração não está mais comigo. Ela anda fugida desde que você não está aqui querida, isso é ruim, mas eu ainda procuro-a em todos os lugares. Acho que se um dia a encontrar como ela costumava ser, encontrarei mais um pouco de você em mim. Não que você já não domine a maior parte da pessoa que sou, afinal Eu sou nós, você é nós… E nós somos apenas Você e Eu em uma só pessoa, em um só ser. Em um só, grande e indefinido amor.

                Lembras que anteriormente te disse que sonhei contigo? Foi meu amor. Te contarei então meus devaneios de amor, meus sonhos com e ao mesmo tempo sem sentido na cidade da Luz, em Paris. Havíamos viajado para Paris para passar um mês de férias, aparentávamos ter uns 25 anos na cara e estávamos mais felizes que nunca (não que nosso casamento não tenha sido feliz, porque foi. Antes de começar até… O fim).  Alugamos um pequeno apartamento a fim de que não tivéssemos despesa com hotel, e essas coisas desnecessárias, até porque seria consideravelmente um bom tempo que passaríamos por lá.

                Tínhamos em mãos um roteiro para passeio em Paris, e decidimos que só íamos segui-lo pelos primeiros dias. Foi assim, fomos a lugares que você faria questão de não perder um detalhe sequer, fomos à torre Eiffel que você tanto admirava a arquitetura. Você me contou várias coisas que já tinha lido sobre os lugares de Paris e sobre a arquitetura deles também. Não entendi bem porque falavas de arquitetura, afinal você e eu em vida real não conversávamos muito sobre esse assunto, você dizia que gostava deste prédio ou daquele, mas nunca havia dito que era por causa da arquitetura.

                Depois de uma semana em Paris decidimos fazer mochileiro, você dizia que seria uma viajem e tanto, e eu também estava animado, pois afinal sempre foi um sonho nosso fazer um mochileiro pelos países na Europa. Fomos a vários cantos, pegamos trens, tomamos vários cafés e entre eles conversas iam e vinham. Entre os assuntos um dos que você mais falava era seu desejo de ter uma filha, disse que seu nome seria Alice, pois a história de “Alice no país das maravilhas”  havia sido uma das melhores da sua infância. Concordei, mesmo sabendo que nós no fundo desejávamos gêmeos e se eles não viessem que viesse Alice. Pequeninos assim são bem-vindos e seriam amados de uma forma grande e bonita por nós.

                Com uma semana e meia de mochileiro voltamos a Paris e ficamos aproveitando nossa vida de casal normal. Conhecemos várias pessoas, fomos a vários bares, tomamos cervejas de gostos variados. Você ria dizendo que a cerveja que tomavamos em casa era melhor, mas no fundo eu sabia que você estava gostando de experimentar coisas novas.

                Então depois de um tempo começamos a ficar mais em casa, ficavámos o dia todo deitados assistindo a filmes, as vezes noticiários. Outras vezes só viamos nossos próprios lábios que se encontravam a cada minuto que se passava.

                Nossa viagem estava sendo tão boa até que eu acordei querida. Ah querida, que saudade de seus lábios que há muito tempo não vejo, que há muito tempo…

Boa noite, e, por favor, volta.

'bip'

Pra Te Lembrar, gravação 03 - Yalle Carvalho.

‘bip’
Olá querida, ontem eu sonhei com você.
 Logo ao acordar fiz meu café, acho que ele não ficou tão bom como o seu, mas Eu pelo menos tentei, como faço todas as manhãs desde que você já não está mais aqui, desde que… Ah, não quero lembrar mais disso. Sabe o que fiz pela tarde? Fui as aulas de teclado,  é, resolvi depois de tanto tempo fazê-las, acho que assim fico mais perto de você, mas, claro que nunca vou chegar a tocar como você…sua suavidade, deixando seus dedos tocarem singelamente as teclas formando uma doce melodia que sempre me embalava. O professor já me falou algumas coisas, mas eu acho que vai ser difícil de aprender.
                Depois da aula passei na nossa cafeteria, lembra? Você dizia que um dia teria sua própria cafeteria, e que ela ia ser tão famosa como a Starbucks, eu sempre ria, dizia que era muita pretensão sua, porque a cafeteria que você imaginava era grande, com um café inesquecível e várias pessoas sentadas conversando  e que tinha muitas histórias pra contar. Mas você conseguiu, você fundou sua própria cafeteria com o nome “cold coffe”. No começo foi você que ensinou aos empregados a fazer ao café, a fazer os cupcakes e pra outras coisas você tinha contratado um profissional. Lembro bem de você correndo de um lado pro outro ajeitando um detalhe aqui, outro ali. Às vezes você dizia que o café expresso estava amargo demais, ou doce demais para um expresso… Você era a protagonista ali, e como sempre eu só observava e ria de tuas loucuras e criações. Por fim toda loucura acabou, você já não ficava o dia todo lá, se dedicava também a faculdade, e ao resto de sua vida também.  Você passava mais tempo comigo, nós íamos ao teatro, viajávamos… Você falava sobre tudo que já tinha conhecido, falava de quando ia ao cinema quando adolescente, dizia que chorava com romances, mas que agora era dura na queda e não tinha essa de chorar, mas toda vez que nós víamos algum romance com cena triste, mesmo você escondendo eu via uma lágrima descendo pelo seu rosto.
 Em meio a tantas lembranças peguei meu expresso, um cappuccino com leite extra e um cupcake. Não sou muito chegado a doces, mas esses bolinhos me lembram você; como você costumava ir a cafeteria todas as tardes para pegar seu cappuccino e mais meia dúzia de cupcakes variados. Você sempre disse que eles te faziam sentir mais feliz e faziam sua vida mais doce. Só que pra mim o que adocicava minha vida era você, e hoje, sigo teu conselho tentando preencher o amargo da minha vida com esses bolinhos já que você… Não está aqui. Por algum tempo fiquei observando seu teclado, vez ou outra arriscava ir lá tocar uma tecla ou outra. Lembrei como você costumava passar horas e horas tocando sua música preferida, ela se chamava “Carruagens de fogo” muito bonita por sinal. Já falei ao professor que se possível apressasse a me ensiná-la. Ele falou pra que eu tivesse calma e então conclui que não importava o tempo que levasse Eu precisava te sentir por perto.
 Cheguei a nosso quarto, ah nosso quarto… Você lembra querida? Você estava toda indecisa, corria de um lado para o outro querendo fazer a planta perfeita para o nosso lugar, o nosso ninho…
 Hoje ele está tão vazio… Cheio de lençóis bagunçados na cama, a janela que dá para cidade que fica ao lado de nossa cama já esta cheia de poeira, mas a poeira me faz lembrar nossos dias de faxina, você reclamando por ter que arrumar cada pedaço da casa, eu dizia que a culpa era tua por ter colocado tantos detalhes quando fez a planta, nós riamos um do outro, limpávamos aqui e ali, e quando era hora de lavar o salão você inventava de ligar o som alto e escorregar pelo chão encharcado de água com sabão. Você ria, escorregava, corria para um lado e para o outro e me levava junto, nós caiamos juntos, morrendo de rir e eram assim nossos dias de limpeza, felizes como todos os outros que passávamos juntos.
 Ah querida, em meio a tantas palavras esqueci de te contar meu sonho, mas estou cansado, ando me cansando rápido demais, não sei o que é, não sei o que deu, e acho que não quero descobrir agora. E mais uma vez eu te canto: ” I can turn my back on the things you lack cuz I love you, I just like the things you do, don’t you change the things you do..”
Boa noite meu amor.
‘bip’
Pra te Lembrar, gravação 02 - Yalle Carvalho

‘bip’

Olá querida, ontem eu sonhei com você.

Logo ao acordar fiz meu café, acho que ele não ficou tão bom como o seu, mas Eu pelo menos tentei, como faço todas as manhãs desde que você já não está mais aqui, desde que… Ah, não quero lembrar mais disso. Sabe o que fiz pela tarde? Fui as aulas de teclado,  é, resolvi depois de tanto tempo fazê-las, acho que assim fico mais perto de você, mas, claro que nunca vou chegar a tocar como você…sua suavidade, deixando seus dedos tocarem singelamente as teclas formando uma doce melodia que sempre me embalava. O professor já me falou algumas coisas, mas eu acho que vai ser difícil de aprender.

                Depois da aula passei na nossa cafeteria, lembra? Você dizia que um dia teria sua própria cafeteria, e que ela ia ser tão famosa como a Starbucks, eu sempre ria, dizia que era muita pretensão sua, porque a cafeteria que você imaginava era grande, com um café inesquecível e várias pessoas sentadas conversando  e que tinha muitas histórias pra contar. Mas você conseguiu, você fundou sua própria cafeteria com o nome “cold coffe”. No começo foi você que ensinou aos empregados a fazer ao café, a fazer os cupcakes e pra outras coisas você tinha contratado um profissional. Lembro bem de você correndo de um lado pro outro ajeitando um detalhe aqui, outro ali. Às vezes você dizia que o café expresso estava amargo demais, ou doce demais para um expresso… Você era a protagonista ali, e como sempre eu só observava e ria de tuas loucuras e criações. Por fim toda loucura acabou, você já não ficava o dia todo lá, se dedicava também a faculdade, e ao resto de sua vida também.  Você passava mais tempo comigo, nós íamos ao teatro, viajávamos… Você falava sobre tudo que já tinha conhecido, falava de quando ia ao cinema quando adolescente, dizia que chorava com romances, mas que agora era dura na queda e não tinha essa de chorar, mas toda vez que nós víamos algum romance com cena triste, mesmo você escondendo eu via uma lágrima descendo pelo seu rosto.

Em meio a tantas lembranças peguei meu expresso, um cappuccino com leite extra e um cupcake. Não sou muito chegado a doces, mas esses bolinhos me lembram você; como você costumava ir a cafeteria todas as tardes para pegar seu cappuccino e mais meia dúzia de cupcakes variados. Você sempre disse que eles te faziam sentir mais feliz e faziam sua vida mais doce. Só que pra mim o que adocicava minha vida era você, e hoje, sigo teu conselho tentando preencher o amargo da minha vida com esses bolinhos já que você… Não está aqui. Por algum tempo fiquei observando seu teclado, vez ou outra arriscava ir lá tocar uma tecla ou outra. Lembrei como você costumava passar horas e horas tocando sua música preferida, ela se chamava “Carruagens de fogo” muito bonita por sinal. Já falei ao professor que se possível apressasse a me ensiná-la. Ele falou pra que eu tivesse calma e então conclui que não importava o tempo que levasse Eu precisava te sentir por perto.

Cheguei a nosso quarto, ah nosso quarto… Você lembra querida? Você estava toda indecisa, corria de um lado para o outro querendo fazer a planta perfeita para o nosso lugar, o nosso ninho…

Hoje ele está tão vazio… Cheio de lençóis bagunçados na cama, a janela que dá para cidade que fica ao lado de nossa cama já esta cheia de poeira, mas a poeira me faz lembrar nossos dias de faxina, você reclamando por ter que arrumar cada pedaço da casa, eu dizia que a culpa era tua por ter colocado tantos detalhes quando fez a planta, nós riamos um do outro, limpávamos aqui e ali, e quando era hora de lavar o salão você inventava de ligar o som alto e escorregar pelo chão encharcado de água com sabão. Você ria, escorregava, corria para um lado e para o outro e me levava junto, nós caiamos juntos, morrendo de rir e eram assim nossos dias de limpeza, felizes como todos os outros que passávamos juntos.

Ah querida, em meio a tantas palavras esqueci de te contar meu sonho, mas estou cansado, ando me cansando rápido demais, não sei o que é, não sei o que deu, e acho que não quero descobrir agora. E mais uma vez eu te canto: I can turn my back on the things you lack cuz I love you, I just like the things you do, don’t you change the things you do..”

Boa noite meu amor.

‘bip’

Pra te Lembrar, gravação 02 - Yalle Carvalho

'bip'
- Oi, senti sua falta.
Bem, hoje Eu estava andando pelas ruas meio perdido de mim mesmo, meio você, meio como costumávamos ser. Hoje eu li alguns capítulos daquele livro que você tanto gostava, aquele que você dizia lembrar seu pai. Fui a cafeteria que íamos todas as manhãs antes da faculdade, você pedia um cappuccino com leite extra e Eu apenas um expresso simples, afinal de contas, nunca entendi sua fascinação por café. Lembro a forma como você costumava falar do café que você fazia, sempre sendo tão modesta…
Sabe aquelas músicas clássicas que você dizia que te acalmava? ouvi o vinil todo, arrisquei ainda até tocar em teu teclado, mas não consigo tocar mesmo, é algo tão delicado, tão singelo como você. Ouvi tua banda preferida, aquela que o vocalista tinha o nome de “Renato Russo” e que costumávamos cantar um para o outro uma de suas canções. Fui ao museu a fim de aprender sobre a arte que tanto te encantava mas em todos os quadros eu só enxergava você. Me lembrei de como você costumava pintar seus quadros, meios sem sentido pra mim, mas que você entendia e morria de rir ao tentar me explicar o que cada um significava. Passei em frente de uma agência de viagens e lembrei de como planejávamos e mudávamos todos os dias os lugares da nossa futura viagem a Liverpool.
 Passando entre vitrines vi casacos os quais você adoraria comprar para guardar em sua mala gigante para suas viagens ao sul. Vi crianças correndo pelas ruas atrás dos pombos que pousavam no chão e logo voavam assustados. Lembrei de quando você me dizia que teríamos gêmeos e que construiríamos uma casa na árvore para os dois e um quarto para cada um, você dizia que seria o quarto que quiséssemos desenhar, afinal você faria a planta, tudo que as crianças tivessem direito estaria nele, eu sorria ao ver sua empolgação, até parecia que as obras começariam dali a uma semana.
 Fui a biblioteca onde você ia aos domingos, cheguei na sessão de língua estrangeira ou literatura estrangeira…tanto faz, só sei que é a sessão onde você se enfiava, tirando os livros empoeirados das prateleiras, folheando e lendo cada página em inglês e dizendo que queria aperfeiçoar sua fala, sua escrita e sua leitura no inglês. Já pra mim tanto fazia, Eu tinha meu diploma no curso de inglês, mas seu inglês era engraçado e eu preferia ouvi-lo do que ao meu mesmo. As vezes você cantava assim.. "Yesterday, all my troubles seemed so far away, now it looks as though they’re here to stay.. Oh, I believe in yesterday.." você cantava de uma forma que fazia parecer que era fácil, cantar em outra língua assim, ainda mais músicas tão lindas. Eu gostava quando você cantava pra mim, entre silêncios que me incomodavam, você sentava ao teclado e tocava alguma música.
 Vi um pai sentado numa lanchonete com sua filha dando risadas e brincando, me lembrei quando você fez as pazes com seu pai, você chegou em casa com seus lindos olhos verdes mais radiantes que nunca, Eu sempre soube o quanto você o amava, como ele tinha te magoado te transformando em uma pessoa bruta que guardava mágoas em uma caixinha dentro de si mesma, mas que se deixou cativar aos poucos e se tornou em meu doce amor. Por fim os céus ficaram escuros e eu corri para casa, ao contrário de você nunca gostei muito de chuva, mas sempre me divertia quando você rodava de mãos dadas comigo nela. Agora as lágrimas já rolam em meus olhos e quero cantar pra você.."Something in the way she moves, attracts me like no other lover, something in the way she woos me, I don’t want to leave her now..you know I believe and how.” 
Boa noite my wordewall.
'bip'
Pra Te Lembrar, gravação 01 - Yalle Carvalho

'bip'

- Oi, senti sua falta.

Bem, hoje Eu estava andando pelas ruas meio perdido de mim mesmo, meio você, meio como costumávamos ser. Hoje eu li alguns capítulos daquele livro que você tanto gostava, aquele que você dizia lembrar seu pai. Fui a cafeteria que íamos todas as manhãs antes da faculdade, você pedia um cappuccino com leite extra e Eu apenas um expresso simples, afinal de contas, nunca entendi sua fascinação por café. Lembro a forma como você costumava falar do café que você fazia, sempre sendo tão modesta…

Sabe aquelas músicas clássicas que você dizia que te acalmava? ouvi o vinil todo, arrisquei ainda até tocar em teu teclado, mas não consigo tocar mesmo, é algo tão delicado, tão singelo como você. Ouvi tua banda preferida, aquela que o vocalista tinha o nome de “Renato Russo” e que costumávamos cantar um para o outro uma de suas canções. Fui ao museu a fim de aprender sobre a arte que tanto te encantava mas em todos os quadros eu só enxergava você. Me lembrei de como você costumava pintar seus quadros, meios sem sentido pra mim, mas que você entendia e morria de rir ao tentar me explicar o que cada um significava. Passei em frente de uma agência de viagens e lembrei de como planejávamos e mudávamos todos os dias os lugares da nossa futura viagem a Liverpool.

Passando entre vitrines vi casacos os quais você adoraria comprar para guardar em sua mala gigante para suas viagens ao sul. Vi crianças correndo pelas ruas atrás dos pombos que pousavam no chão e logo voavam assustados. Lembrei de quando você me dizia que teríamos gêmeos e que construiríamos uma casa na árvore para os dois e um quarto para cada um, você dizia que seria o quarto que quiséssemos desenhar, afinal você faria a planta, tudo que as crianças tivessem direito estaria nele, eu sorria ao ver sua empolgação, até parecia que as obras começariam dali a uma semana.

Fui a biblioteca onde você ia aos domingos, cheguei na sessão de língua estrangeira ou literatura estrangeira…tanto faz, só sei que é a sessão onde você se enfiava, tirando os livros empoeirados das prateleiras, folheando e lendo cada página em inglês e dizendo que queria aperfeiçoar sua fala, sua escrita e sua leitura no inglês. Já pra mim tanto fazia, Eu tinha meu diploma no curso de inglês, mas seu inglês era engraçado e eu preferia ouvi-lo do que ao meu mesmo. As vezes você cantava assim.. "Yesterday, all my troubles seemed so far away, now it looks as though they’re here to stay.. Oh, I believe in yesterday.." você cantava de uma forma que fazia parecer que era fácil, cantar em outra língua assim, ainda mais músicas tão lindas. Eu gostava quando você cantava pra mim, entre silêncios que me incomodavam, você sentava ao teclado e tocava alguma música.

Vi um pai sentado numa lanchonete com sua filha dando risadas e brincando, me lembrei quando você fez as pazes com seu pai, você chegou em casa com seus lindos olhos verdes mais radiantes que nunca, Eu sempre soube o quanto você o amava, como ele tinha te magoado te transformando em uma pessoa bruta que guardava mágoas em uma caixinha dentro de si mesma, mas que se deixou cativar aos poucos e se tornou em meu doce amor. Por fim os céus ficaram escuros e eu corri para casa, ao contrário de você nunca gostei muito de chuva, mas sempre me divertia quando você rodava de mãos dadas comigo nela. Agora as lágrimas já rolam em meus olhos e quero cantar pra você.."Something in the way she moves, attracts me like no other lover, something in the way she woos me, I don’t want to leave her now..you know I believe and how.” 

Boa noite my wordewall.

'bip'

Pra Te Lembrar, gravação 01 - Yalle Carvalho

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Bem,

Sei que poucos vão dar atenção, mas espero que alguém veja isso. E que se interesse. 

Eu estou escrevendo uma história, o desenrolar dela é contada em meio a gravações narradas por um homem meio melancólico, que conta suas lembranças, seus medos e o que ele faz no seu dia sem o ‘seu amor’. Bem, o nome da história é Pra Te Lembrar, pois a história como Eu já disse se desenrola meio a lembranças do homem que a narra. Confesso que é meio triste, espero que leiam e que quando cheguem ao final dela a entendam e entendam o amor que ela tem a passar pra cada um.

Vou começar a postar hoje, narrarei as gravações até quando conseguir, e então chegarei no fim da história. Peço a quem ler, que deem like, só pra eu saber que alguém leu. 

Obrigado, Yalle Carvalho.

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